Sorrisos à beira mar (2)

«(…) E porque o mar é assim, quase sempre durante toda a quadra no litoral português, as mulheres da beira da água vivem como ele vive e todos os trabalhos, todas as fainas, todas as canseiras se transformam em risadas, em alegrias, num louco foliar. Parecem nereides as raparigas, mas nereides enroupadas nesses graciosos trajos vareiros que ocultando encantos mais apetecidos os tornam.

Elas nas tardes de domingo, quando o trabalho afrouxa, riem e são como crianças diante dessas águas; os barcos que têm visto e resistido às grandes tempestades, os saveiros, as meias luas de modelo frígio, que têm lutado com as ondas, são como as carcassas amigas onde se vão meter, e é de dentro delas, em pé, como amazonas, os seios resaídos, os bustos fortes, que soltam as suas cantigas; outras dormem embaladas por aquela paz e procuram sempre a sombra do velho barco, que já não vai ao mar e que para alí está como uma relíquia, para abrigar a sua sesta bem ganha.(…)»


Texto (adaptado à grafia actual) e imagens retiradas da Illustração Portugueza, nº237, Lisboa, 3 de Setembro de 1910

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