Porto - Cais da Alfândega


Panorâmica do rio Douro junto ao Cais da Alfândega, no Porto, provavelmente nos começos do século XX.

(Foto: Arquivo Fotográfico da CML)

Barco rabelo à sirga






Antes do aparecimento do comboio e, mais recentemente, das modernas rodovias, o barco foi durante bastante tempo um meio privilegiado de transporte de pessoas e mercadorias. Ao longo de séculos e à falta das enormes pontes suspensas, a ligação entre as duas margens do rio Tejo apenas era feita por via fluvial...>>>

Imagens retiradas de: O Douro - Manuel Monteiro, fac-simile da edição de 1911 | Emílio Biel & Cª - Editores

A barca: tipo de embarcação tradicional do rio Tejo


A atestar a antiguidade das barcas como modelo de embarcação tradicional, o brasão da cidade de Lisboa reproduz a que, em 1173, por ordem de D. Afonso Henriques, transportou as relíquias de S. Vicente, do Promontório Sagrado ou seja, o Cabo de S. Vicente para Lisboa.

Ao tempo do imperador Diocleciano, foi movida intensa perseguição aos cristãos na Hispânia, tendo muitos deles sido martirizados como sucedeu com Máximo, Veríssimo e Júlia a quem já nos referimos noutro artigo. Também Vicente de Saragoça veio a ser martirizado por se recusar a venerar os deuses pagãos oficializados pelo Império Romano, tendo sido morto no ano 304. Apesar da imensa popularidade de Santo António que leva os lisboetas a saírem à rua para o festejar, é S. Vicente o padroeiro da cidade e está representado na sua heráldica também através da presença dos corvos que alegadamente velaram as suas relíquias quando estas foram transportadas para Lisboa.

Com efeito, a História revela-nos e a heráldica representa um tipo de embarcação tradicional que era bastante utilizada há mil anos, precisamente a mesma que foi empregue no cerco cristão à cidade de Lisboa e que Gil Vicente integrou nos seus Autos.

Barca dos corvos esculpida em pedra no Largo do Andaluz, em Lisboa.
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