Casamento tradicional

"A decisão havia sido longamente pensada. «Antes que te cases, pensa no que fazes» - aconselhava a experiência secular. É que os nubentes iriam, por norma, ficar «unidos para a vida inteira». Assim o dizia a quadra:

Dei um nó na minha vida,
Nunc'ò eu chegara a dar,
Dei-o com a mão direita

Não o posso desatar.

Feito o pedido da noiva aos pais da mesma e lidos os banhos ou pregões, a breve trecho se lhes sucedia o casamento. Durante a Monarquia não havia outro casamento além do religioso. Criado o casamento civil em 1911 pelas I República, os actos civil e religioso tornaram-se distintos. Nas vilas e cidades, estes podiam acontecer no mesmo dia. Nas aldeias que estavam longe do Registo Civil, todavia, podiam realizar-se em dias diferentes. No mesmo dia ou em dias separados, as pessoas davam pouca importância ao casamento civil."
A.L. Pinto da Costa, in "Alto Douro, terra de vinho e de gente"











Fotos: Carlos Gomes

Sugerimos a leitura de: Casamento Tradicional (Trás-os-Montes)

Os espigueiros ou canastros e a cultura do milho


«Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!

Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflecte a grandeza da produção que normalmente é efectuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.(...)» Ler mais>>>

Foto: Carlos Gomes

Campinos do Ribatejo

«(...) Atravessa-se a vila de Azambuja, e já a cada momento, na estrada, é necessário diminuir a marcha do automóvel para deixar passar os rebanhos de ovelhas e carneiros, as manadas de potros e éguas, conduzidos à vara por campinos a cavalo, de barrete vermelho e meia branca, jaleca ao ombro, erectos nas selas mouriscas. São homens altos e secos, pernaltas com músculos de cavaleiros, a face moura, os matacões tufando da carapuça, o mento e o lábio superior escanhoados, que do alto do cavalo sorriem com desdém para o nosso veículo hipercivilizado
(Carlos Malheiro Dias - 1875/1841, in Grandes Agrários Ribatejanos)












Campinos do Ribatejo nas Avenidas de Lisboa - Fotos: Carlos Gomes 

Sugerimos a leitura de:




Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Expôr a louça

8.- Expôr a louça

«Até à construção do IP4, um pouco antes de chegar a Vila Real, havia tendas de louça preta a ladear a estrada. O viajante, atraído pela cor das peças, parava e o negócio lá se ia desenvolvendo. Com a a abertura da via rápida, as tendas foram transferidas para pequenos pavilhões, à entrada da cidade. Nalguns, pode-se admirar o trabalho do oleiro, na azáfama de elaborar as belas peças que exibe penduradas por dentro e por fora da loja



Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...