Descamisada do milho à moda antiga - Vale do Peso - Charneca - Freixianda

No passado dia 12 de Novembro, realizou-se na Associação Cultural e Recreativa do Vale do Peso em Charneca - Freixianda, a recriação de uma descamisada do milho à moda antiga.

Nesta actividade participaram os elementos do Rancho Folclórico “Rosas de Portugal” e muitos populares que se juntaram.

Com esta iniciativa, a organização pretendeu demonstrar que uma descamisada era muito mais do que tirar a "camisa" das espigas de milho: era uma actividade recreativa, fonte de alegrias e convívio, de confraternização e partilha.

Com esta iniciativa provou, também, que a disseminação das máquinas nestes tempos modernos, não nos tirou só o trabalho e o esforço, mas também o lado humano das tarefas quotidianas e da própria vida.















A Indústria Chapeleira e o Traje Tradicional - MINHO

 O jornaleiro minhoto, de barrete e tamancos de coiro e madeira, segundo uma fotografia da Ilustração Portugueza de 1920.

Feira e Romaria de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo,
da autoria de Alfredo de Moraes.

A propósito destas fotos, sugerimos a leitura de um artigo de opinião do Dr. Carlos Gomes:
A fotografia constitui uma das fontes documentais não apenas para quem estuda os acontecimentos da História contemporânea como também para quem procura com algum rigor conhecer os usos e costumes desde meados do século XIX, nomeadamente aspectos relacionados com o traje utilizado à época.

Sorrisos à beira mar (3)

«(…) Há uma ou outra destas mulheres ali pelo litoral, Costa Nova, Buarcos, Furadouro, ou S. Pedro de Moel, rapariguitas que começam por brincar na praia com os pequenitos nestes tempos serenos, deixando-se balancear nas minúsculas meias luas; que ávidas de brincadeira vão com os pais a pescas distantes e por fim abraçam numa loucura a profissão como um homem e não receiam o mar enfurecido. Andam por lá; têm o seu quinhão nas pescas; vestem a castorina dos marinheiros; as camisolas de três botões, até as calçotas de quadrados; usam o barrete e lembram gentis rapazes: as outras fazem-lhes troças. Um dia, porém, tudo aquilo muda. O lépido e ágil mocinho de bordo que trepava pelo mastro da embarcação, o forte remador de calçotas de castorina vai dizer ao pai que deseja os seus trajos de mulher, as saias de roda, a cinta de franjas, as roupinhas claras, as tamanquinhas bordadas, que quer cordões e arrecadas e um lindo lenço vermelho para a sua cabeça, onde o cabelo cresceu e o velho marinheiro que já sabe de outros exemplos semelhantes, ri, encolhe os ombros e exclama:

- No fim de sempre és uma rapariga!... – e dá-lhe o dinheiro das soldadas e manda-a tratar do amanho da casa.(…)»


Texto (adaptado à grafia actual) e imagens retiradas da Illustração Portugueza, nº237, Lisboa, 3 de Setembro de 1910

Sorrisos à beira mar (2)

«(…) E porque o mar é assim, quase sempre durante toda a quadra no litoral português, as mulheres da beira da água vivem como ele vive e todos os trabalhos, todas as fainas, todas as canseiras se transformam em risadas, em alegrias, num louco foliar. Parecem nereides as raparigas, mas nereides enroupadas nesses graciosos trajos vareiros que ocultando encantos mais apetecidos os tornam.

Elas nas tardes de domingo, quando o trabalho afrouxa, riem e são como crianças diante dessas águas; os barcos que têm visto e resistido às grandes tempestades, os saveiros, as meias luas de modelo frígio, que têm lutado com as ondas, são como as carcassas amigas onde se vão meter, e é de dentro delas, em pé, como amazonas, os seios resaídos, os bustos fortes, que soltam as suas cantigas; outras dormem embaladas por aquela paz e procuram sempre a sombra do velho barco, que já não vai ao mar e que para alí está como uma relíquia, para abrigar a sua sesta bem ganha.(…)»


Texto (adaptado à grafia actual) e imagens retiradas da Illustração Portugueza, nº237, Lisboa, 3 de Setembro de 1910

Sorrisos à beira mar (1)

«A velha evocação de uma mulher de luto olhando o mar com uma profunda expressão de revolta como a acusá-lo de lhe ter roubado alguém, figura que fica bem sobre uma penedia, num cenário de roma que, evola-se, esfuma-se, perde-se ante o lindo aspecto das praias de Portugal neste tempo.

No seu lugar surge então outro vulto, mas esse todo de graça, todo de mimo, todo de alegria; é também uma mulher, uma rapariga que sorri ao mar; da sua boca cor de rosa parece sair o cicio dum beijo para a água azul, mansa e dourada do formoso oceano.

E ao lado desta figurita simbólica dos povoados da orla de água, de Âncora a formosa, Lavadores e Apúlia, Leça, Matosinhos e Varzim, Vila do Conde, Espinho, terras do litoral português, surgem outras, muitas outras, mas essas animadas, rindo, folgando, brincando com a água sua amiga; encarando-a e mirando-se nela com uma ternura infinita, com o gozo todo íntimo que as mulheres têm diante dos espelhos (…)»


Texto (adaptado à grafia actual) e imagens: Illustração Portugueza, nº237, Lisboa, 5 de Setembro de 1910

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