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Tipos portugueses: pescadores, varinas, campinos, devotos e ganhões

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Acendendo o cachimbo São bem nossas as figuras que a fotografia fixou neste dupla página. São bem a alma da pátria portuguesa, porque ela compõe-se de todas estas coisas que nos passam despercebidas por serem vistas a cada momento, mas que a nossa memória reproduz insistentemente quando nos encontramos longe de Portugal . Cada país tem o seu guide , o seu carácter, a sua gente, e esta com o seu modo de viver e de proceder, que noutro país se não observam. Qualquer dos tipos que aqui se apresentam, o pescador, o velho que acende o cachimbo, o campino , o ganhão, as varinas , a ceifeira, os garotos da praia e as velhinhas, uma enfiando a agulha, outra rezando as contas, não podem ser espanhóis, franceses, ingleses, italianos... E não é só pelos trajes que se conhece que são da nossa terra. É também pela atitude, pela expressão do rosto, por qualquer coisa inexplicável que neles existe e que se casa maravilhosamente com a suavidade do nosso céu, com a alegria do nosso campo e c

O campino Manoel Vicente, da Golegã, em 1908

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O Campino "O turista que não pode surpreender os campinos nas fainas arriscadas da lezíria em exclusiva convivência com o toiro e o cavalo, vá em  Julho a Vila Franca assistir à festa do Colete Encamado . Encontra-os no desvairamento colorido da «espera», entre nuvens de pó, gritando, junto do tropel da manada que desfila ou depois, nos passos e requebras vertiginosos do fandango e do verde-gaio , ao som dos harmónios, no gosto enlevado da sua galhardia de valente que se diverte. O mesmo barrete de lã verde ou azul com orla vermelha, camisa de algodão branco, colete encarnado com botões de vidro, jaleca curta, cinta escarlate, calção justo de bombazina azul fechando abaixo do joelho com fivelas de prata, meias brancas bordadas, sapatos ferrados e de cabedal branco, esporas de fivela, estribos de madeira, os albardões cobertos com peles brancas de carneiro. Vê-los assim ainda constitui, hoje, no luzimento festivo dos grandes dias de Vila Franca , o gosto de contemplar a «

Feira em Leiria - 1942

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Um aspecto da feira Feira em Leiria “(…) Em camionetas, em carroças, nos burrinhos ligeiros, palmilhando a terra batida e o macadame, o povo de algumas léguas em redor, converge para a cidade, vem ao mercado, espalhando-se já pelas ruas estreitas, pelos pequenos largos do velho burgo, e no desafogo do novo bairro que se aproxima e circunda o jardim, com o seu ar moderno e urbano de civilização e actualidade. É um regalo da vista e do espírito percorrer a feira garrida e rumorosa que, transbordando do mercado fechado, se estende a ruas e largos, como à antiga praça, salão nobre da cidade velha, com a sua arcada acolhedora e sombria, e, ao fundo, como um grande quadro heráldico, acima do casario e dos telhados, o castelo, na sua postura majestosa de domínio.(…)" O mercado, onde nada falta In “Panorama”, nº 9- Junho 1942 As feiras em Portugal Durante o século XX, as feiras em Portugal eram eventos essenciais na vida das comunidades locais. Eles proporcionavam uma oportunidade p

Pregões de Lisboa - As leiteiras

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A leiteira, em Lisboa, a pregoar o seu leite! Lisboa de pregões sonora e linda, Lisboa de pregões, linda e sonora, Frases cantantes de saudade infinda, Vozes que a chama da alegria cora. Os pregões de Lisboa - cantilena, Notas confusas de pregões sem fim, Alguns chorosos, trémulos de pena, Outros vibrando em notas de clarim. Duas simples palavras sem enfeite - Mas numa voz de tal suavidade! - A adorável meiguice do «iá leite!» Adorável de graça e de saudade. Quem tão doce pregão cedo apregoa Na rua triste, quási sem ninguém? É a varina , a leiteira de Lisboa, De pés bem feitos, nús, pisando bem! Como é graciosa e linda!... E com que planta Corre essas ruas de Lisboa inteira. Tem raça grega - é neta da Atalanta, Essa escultura viva, essa leiteira! Martinho de Brederode Fonte: " Ilustração Portuguesa ", nº381 - 1913 As leiteiras de Lisboa No início do século XX, as leiteiras eram figuras conhecidas e essenciais nas ruas de Lisboa. Mulheres corajosas

Trajo de Pastor da Serra da Estrela - 1911

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Pastor da Serra da Estrela Cliché do Sr. Onetto (Ilustração Portuguesa - 16 de Janeiro de 1911) Os pastores da Serra da Estrela Os pastores da Serra da Estrela desempenham um papel fundamental na preservação e promoção da cultura e tradição dessa região montanhosa. Conhecidos pelos seus rebanhos de ovelhas da raça Bordaleira Serra da Estrela , esses pastores são considerados guardiões e promotores de um estilo de vida ancestral. "Na Estrela desenvolveu-se uma raça de ovinos perfeitamente definida –   Bordaleira Serra da Estrela  – destacando-se das suas características, consagradas no Livro Genealógico, as variedades preta e branca, os olhos grandes e expressivos e os cornos em ambos os sexos, enrolados em espiral.  É a raça nacional de melhor aptidão leiteira, atingindo-se produções superiores a 500 litros de leite por lactação (220 dias/média).  É também muito prolífera e fértil, com um período de atividade sexual que se alarga por todo o ano, sendo contudo a cobrição natur

Tipos Populares Portugueses - Pescadeira de Ílhavo

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Pescadeira de Ílhavo Cliché do Photographo Amador Paulo B. Namorado (Ilustração Portuguesa) A Pescadeira de Ílhavo é uma das inúmeras representações culturais da região de Ílhavo, uma pequena cidade costeira localizada no centro de Portugal. Esta é uma figura icónica que simboliza a força e a determinação das mulheres que tinham um papel preponderante na atividade piscatória. A Pescadeira de Ílhavo era a mulher que aguardava ansiosamente o regresso dos pescadores do mar, e que acolhia os maridos, filhos e pais com uma energia contagiante. Vestida com trajes de cores escuras, com lenço e chapéu na cabeça e avental de chita, ela era a imagem da coragem, do respeito e da solidariedade entre as gentes de Ílhavo. Antigamente, a pesca era uma das principais fontes de subsistência da população local. Homens partiam em frágeis embarcações para enfrentar as adversidades do mar, enquanto as mulheres, verdadeiras guardiãs das famílias, mantinham a chama da esperança acesa em terra fi

Lavradeira de Castelo de Paiva

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  Em Castelo de Paiva - Um formoso tipo de lavradeira "Quem visitar o norte [de Portugal] nada perde em passar pela interessante vila de Castelo de Paiva onde admirará deliciosos aspetos rurais e deparará também [com] algumas das mais lindas mulheres deste país." (1)  O concelho de Castelo de Paiva Situado a escassos 45 quilómetros da cidade do Porto, o concelho de Castelo de Paiva é o mais distante da sede do distrito a que pertence (Aveiro), estendendo-se desde os limites de Arouca até ao Rio Douro, entre os concelhos de Cinfães, Gondomar e Santa Maria da Feira. O município paivense é uma faixa de terra caprichosamente recortada entre as províncias da Beira e do Douro Litoral e, por isso, partilha das belezas desta encantadoras regiões. O Concelho tem uma superfície de 109 quilómetros quadrados, uma população que ronda os 17 mil habitantes e está integrado na Diocese do Porto . Tradicionalmente rural, foi no passado marcado pela exploração carbonífera do Pejão.  Em virtud

Lavradeira de Afife – Viana do Castelo – Alto Minho

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  Uma Lavradeira de Afife ( cliché do Sr. J. Azevedo ) Ilustração Portuguesa, nº 191 – 18 de Outubro de 1909 Afife é uma antiga freguesia localizada à beira mar, a cerca de dez quilómetros a norte da sede de concelho, Viana do Castelo ( Minho ). Confronta - a Norte,   com a freguesia de Âncora, no concelho de Caminha e Freixieiro de Soutelo, no concelho de Viana do Castelo; - a Sul, com a freguesia de Carreço e com uma pequena área da freguesia da Areosa; - a Nascente, com a freguesia de Outeiro; - a Poente, com o Oceano Atlântico. Topónimo   É possível que o topónimo Afife se trate de um genitivo antroponímico árabe, “Afif”, que inicialmente era utilizado como adjectivo para designar algo ou alguém “virtuoso”; mais tarde porém, aparecia num documento de 1108, com a designação “Afifi”, sugerindo a existência de uma “Villa Afifi”, que adquiriu o nome do seu senhor. Ao longo dos séculos, o topónimo foi apresentando diferentes grafias: Fifi, Affifi, Afifi, Afife. Há a

A fogaça - Santa Maria da Feira

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  Que bela, que lindíssima fogaça Leva a Rosinha na cabeça airosa! Ou não fosse ela, pelo nome, rosa, Ou não tivesse da roseira a graça! Logo à tardinha, se a puser em praça, E soltar o pregão com voz mimosa, Chovem moedas no avental da Rosa, E mais os risos dela são graça! Mas onde há bolos de mais fino cheiro, Bolos que tenham mais gostoso travo, Que devem ser pesados a dinheiro? Não é mais doce o mel de loiro favo... Rosinha os amassou no tabuleiro E mãos de Rosa são de rosa e cravo... Acácio de Paiva (1) Sugestões: Varina de Lisboa - Trajo antigo (1898) A Capucha - Trás-os-Montes A fogaça A fogaça é um doce típico da culinária portuguesa, originário da região de Santa Maria da Feira , no norte de Portugal. Trata-se de um pão doce redondo e achatado, de massa macia e fofa, que leva açúcar, farinha, ovos, fermento e especiarias, como erva-doce. A fogaça possui uma tradição bastante antiga e é consumida por ocasião da  festa das Fogaceiras , que acontece no dia 20 d

Vendedeira de alhos (Porto) em 1896 | Tipos do Norte

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Vendedeira de alhos (Porto) "Branco e Negro", nº11 - Junho 1896   “Quem visitar a cidade do Porto tem ocasião de observar a variedade de trajes que as mulheres dos arredores apresentam. Nas ruas e nos mercados aparecem estas mulheres ostentando os seus elegantes vestuários, de um aspeto muito original e um tanto varonil, e de facto elas desenvolvem uma atividade que lhes dá, em geral, uma certa superioridade ao sexo forte.” Saber mais… As vendedeiras de alhos Durante longas décadas, as vendedoras de alho desempenharam um papel fundamental na economia local, através da venda desde bolbo comestível e usado tanto como tempero como para fins medicinais. Vindas das zonas rurais da região do Porto (Entre-Douro-e-Minho], por exemplo, elas percorriam as ruas da cidade, com cestas cheias de alhos atadas em grandes “cabos”, que também transportavam nas mãos nos braços, Estas mulheres não possuíam um traje característico, mas tinham uma habilidade peculiar para negociar e em conquista