O Traje das Vindimadeiras no Douro No primeiro terço do séc. XX, " As vindimadeiras vestiam um berrante lenço de cabeça, uma blusa e uma saia, de cores claras, cingiam, por vezes, a cintura com um xaile de merino e calçavam socas. Os homens, por seu lado, cobriam-se com um chapéu de palha ou de feltro, de aba larga, vestiam calças de cotim ou de linho e camisa de linho ou riscado, umas e outras geralmente remendadas, e calçavam socos ". in "Alto Douro, terra de vinho e de gente", A.L. Pinto da Costa | Foto retirada da obra: "O Douro", de Manuel Monteiro A propósito, sugere-se a leitura do artigo "Vindimar até ao lavar dos cestos" Chegou o Setembro e com ele as primeiras águas de Outono. O ano agrícola propriamente dito chegou ao fim. É tempo de vindimas e também de desfolhadas na região de Entre-o-Douro-e-Minho que aqui o milho é de regadio e por esse motivo se realizam mais tarde em relação às terras em que a sua cultura é de sequeiro. Sa...
Lavadeiras de Mafamude (Cliché do distinto fotógrafo amador, do Porto, sr. Eduardo Paulo) Ilustração Portugueza - 15 de Junho de 1914 As Lavadeiras em Portugal As lavadeiras sempre desempenharam um papel importante na sociedade portuguesa ao longo dos séculos. Elas eram mulheres responsáveis por lavar roupas, lençóis e outros tecidos, utilizando métodos tradicionais que exigiam conhecimentos, habilidade e força física. Antigamente, as lavadeiras reuniam-se em pontos de água, como rios, riachos ou lavadouros públicos (comunitários), para realizar suas tarefas. Elas usavam tábuas de pedra ou madeira, esfregavam as roupas com sabão e batiam para remover a sujidade. A técnica era conhecida como "bater a roupa" e requeria muito esforço físico. Essas mulheres costumavam trabalhar em grupo, compartilhando histórias, risadas e até mesmo canções. Eram momentos de sociabilidade, em que as lavadeiras se mantinham informadas sobre o que acontecia na comunidade e trocavam exp...
A etnografia desempenha um papel fundamental na preservação da cultura popular, permitindo o registo, a compreensão e a valorização das tradições, costumes e formas de expressão das comunidades. No contexto atual, onde a globalização tende a uniformizar práticas e valores, a etnografia assume uma importância crescente na salvaguarda da identidade cultural dos povos. Este artigo explora como a etnografia contribui para a preservação da cultura popular , analisando os seus métodos, desafios e impacto na sociedade. O que é a etnografia? A etnografia é um ramo da antropologia que se dedica ao estudo sistemático das culturas e das sociedades humanas. O termo deriva do grego ethnos (povo) e grapho (escrever) , significando, literalmente, “ escrever sobre os povos ”. O objetivo da etnografia é documentar e interpretar os modos de vida, as crenças, os valores e as práticas das comunidades, geralmente através de uma abordagem qualitativa que envolve a observação participante, e...
A pateira é uma embarcação tradicional no rio Guadiana , na região de Mértola . A sua denominação provém do facto de ser habitualmente usada na caça aos patos. O exemplar da foto foi oferecido pela Comissão de Defesa do Património de Mértola ao Museu de Marinha , onde se encontra exposto. A pateira A pateira é uma embarcação tradicional do rio Guadiana, amplamente associada às práticas de pesca e transporte nas zonas ribeirinhas do Alentejo. Este tipo de barco, muitas vezes construído artesanalmente em madeira, caracteriza-se pela sua forma achatada e pelo fundo plano, características que lhe conferem grande estabilidade e a tornam ideal para navegar em águas calmas e pouco profundas, como as margens do Guadiana. Historicamente, a pateira foi utilizada por pescadores locais para a captura de espécies de peixe de rio, como a enguia e o barbo, e também como meio de transporte de mercadorias e pessoas entre pequ...
Parada Agrícola de Famalicão: o carro da agricultura Cliché da Ilustração Portugueza - 15 de Julho de 1912 «A revista “ Ilustração Portugueza ” dá-nos conta de diversas paradas agrícolas que então se efectuavam, aliás à semelhança das exposições de outros produtos como o objectivo de promover a sua venda e exportação. Juntamente com o jornal “ O Século ” a que se encontrava ligado e constituindo um instrumento de propaganda dos ideais republicanos e da maçonaria, aquela revista era especialmente difundida entre os sectores burgueses estabelecidos nos centros urbanos de quem, aliás, recebia os clichés e as notícias que publicava, mantendo uma rede de correspondentes que se estruturava paralelamente à própria organização política.(...) Ler+ Sugestões: Mulheres, com trajes regionais minhotos, numa espadelada! Os trabalhos com o linho, na província do Minho O Traje das Vindimadeiras no Douro
“Eram vendedores ambulantes que se podiam encontrar em certos pontos da cidade de Lisboa na época de verão e que vendiam este tipo de refresco a quem queria matar a sede nesses dias tórridos de muito calor. O capilé é um xarope feito a partir de folhas de avenca, com um toque de água de flor de laranjeira e açúcar amarelo, diluído em água para uma bebida levemente doce, subtilmente perfumada e extremamente refrescante. O capilé , por si é uma bebida lisboeta característica, de grande popularidade e afamado em outros tempos. A sua receita remonta ao século XVIII. O xarope de capilé é referido no livro de receitas, " O cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha ", da autoria de Lucas Rigaud, no ano de 1780. Em ocasiões de cortejos cívicos, procissões, feiras ou paradas militares, desde que houvesse ajuntamentos, em tempo quente de verão, logo surgiam os típicos vendedores também conhecidos por " homens da água fresquinha ou capilé ". Para ler: Pregões de Li...
Costumes Portugueses - Mulher dos arredores do Porto (Desenho natural por M. Macedo) "A gravura (...) representa um dos variados tipos de mulheres do Douro que, todos os dias se avistam na cidade do Porto, onde vêm vender nos mercados as frutas, hortaliças, legumes, etc. das suas aldeias. O seu trajo é extremamente pitoresco, realçado pelo ouro que lhe pende das orelhas e do colo [ pescoço ], indo descansar sobre o peito que fica completamente coberto de corações e imagens da virgem, tudo de filigrana do precioso metal. Esta riqueza representa ordinariamente o fruto das suas economias e quanto tem quanto trazem em cima de si, e a paixão que têm pelas joias obrigam-nas muitas vezes às maiores privações, para adquirirem mais um coração, mais uma conta para o colar de ouro , etc. Estas mulheres do Douro , assim como as do Minho são de uma grande atividade, trabalhando na lavoura e no seu comércio com mais vigor que os homens daquelas províncias." In " Occidente ...
Cenas da vindima em Murça Na Quinta da Noria , propriedade do sr. José Duarte de Oliveira (Cópia de uma fotografia do fotógrafo amador Sr. Emílio Campos) Murça , a mais conhecida vila de Trás-os-Montes , talvez porque a informe porca de pedra que adorna a sua praça irregular lembra uma tradição romântica, apresenta um aspecto completamente novo, uma feição perfeitamente desusada, durante os meses da vindima. A pacata vila transmontana alegra-se e como que se veste de gala, nessa risonha época do ano. Nos campos que a rodeiam, plantados de bastas vinhas, bandos de raparigas , cantando o Mané Chine e o Bico do Sabiá , enchem as cestas que alentados moços despejam em grandes dornas. Pela rua principal, parte da estrada que liga Vila Real com Mirandela , chiam os carros conduzindo as dornas aos lagares, passam constantemente homens ajoujados com odres cheios de mosto, vêem-se agrupados os lavradores conversando uns com os outros acerca da produção da uva, da qualidade e preço...
O fim do Mercado de São Bento – Lisboa (1938) “O velho Mercado de São Bento vai desaparecer para dar lugar a coisas mais belas e oportunas. Com 57 anos de idade - completou-os no dia 1 de janeiro - não pode dizer-se que morre muito criança. Para um mercado que não evoluiu é a decrepitude. (...) No terrado podiam instalar-se centenas de vendedores com as suas mercadorias. Davam entrada para o Mercado três vistosos pórticos de ferro que os críticos de há meio século classificaram de «incontestável beleza». Na parte central havia um pequeno jardim triangular em cujos vértices haviam sido colocados marcos fontenários para serventia pública. Nada ali faltava. O Mercado era um verdadeiro mimo, e como tal deveria ser considerado pelos moradores do sítio. Encontravam-se ali lugares de frutas, hortaliças, aves, carne, peixe, bebidas e toda a espécie de víveres tabacos, louças, objetos de vestuário, calçado e muitos outros artigos. Quem é que se não lembra ainda do homem das...
«Os cestos vindimos eram altos, de fundo rectangular e estreito e de boca também rectangular mas larga. Tinham uma asa, reforçada por fitas que mergulhavam no teçume , em cada um dos remates das duas paredes mais pequenas e uma terceira, mais pequena, no terço superior duma das paredes mais largas.» «Para ordenar e animar o pessoal, os carregadores formavam em fila indiana, simples ou dupla: à frente seguia a trempe dos tocadores; a seguir, estendiam-se os carregadores; no fim, a fechar o bando, ou ao lado, vinha o feitor dos homens , de pau na mão.» Ler+