A pateira é uma embarcação tradicional no rio Guadiana , na região de Mértola . A sua denominação provém do facto de ser habitualmente usada na caça aos patos. O exemplar da foto foi oferecido pela Comissão de Defesa do Património de Mértola ao Museu de Marinha , onde se encontra exposto. A pateira A pateira é uma embarcação tradicional do rio Guadiana, amplamente associada às práticas de pesca e transporte nas zonas ribeirinhas do Alentejo. Este tipo de barco, muitas vezes construído artesanalmente em madeira, caracteriza-se pela sua forma achatada e pelo fundo plano, características que lhe conferem grande estabilidade e a tornam ideal para navegar em águas calmas e pouco profundas, como as margens do Guadiana. Historicamente, a pateira foi utilizada por pescadores locais para a captura de espécies de peixe de rio, como a enguia e o barbo, e também como meio de transporte de mercadorias e pessoas entre pequ...
A etnografia desempenha um papel fundamental na preservação da cultura popular, permitindo o registo, a compreensão e a valorização das tradições, costumes e formas de expressão das comunidades. No contexto atual, onde a globalização tende a uniformizar práticas e valores, a etnografia assume uma importância crescente na salvaguarda da identidade cultural dos povos. Este artigo explora como a etnografia contribui para a preservação da cultura popular , analisando os seus métodos, desafios e impacto na sociedade. O que é a etnografia? A etnografia é um ramo da antropologia que se dedica ao estudo sistemático das culturas e das sociedades humanas. O termo deriva do grego ethnos (povo) e grapho (escrever) , significando, literalmente, “ escrever sobre os povos ”. O objetivo da etnografia é documentar e interpretar os modos de vida, as crenças, os valores e as práticas das comunidades, geralmente através de uma abordagem qualitativa que envolve a observação participante, e...
Parada Agrícola de Famalicão: o carro da agricultura Cliché da Ilustração Portugueza - 15 de Julho de 1912 «A revista “ Ilustração Portugueza ” dá-nos conta de diversas paradas agrícolas que então se efectuavam, aliás à semelhança das exposições de outros produtos como o objectivo de promover a sua venda e exportação. Juntamente com o jornal “ O Século ” a que se encontrava ligado e constituindo um instrumento de propaganda dos ideais republicanos e da maçonaria, aquela revista era especialmente difundida entre os sectores burgueses estabelecidos nos centros urbanos de quem, aliás, recebia os clichés e as notícias que publicava, mantendo uma rede de correspondentes que se estruturava paralelamente à própria organização política.(...) Ler+ Sugestões: Mulheres, com trajes regionais minhotos, numa espadelada! Os trabalhos com o linho, na província do Minho O Traje das Vindimadeiras no Douro
“Eram vendedores ambulantes que se podiam encontrar em certos pontos da cidade de Lisboa na época de verão e que vendiam este tipo de refresco a quem queria matar a sede nesses dias tórridos de muito calor. O capilé é um xarope feito a partir de folhas de avenca, com um toque de água de flor de laranjeira e açúcar amarelo, diluído em água para uma bebida levemente doce, subtilmente perfumada e extremamente refrescante. O capilé , por si é uma bebida lisboeta característica, de grande popularidade e afamado em outros tempos. A sua receita remonta ao século XVIII. O xarope de capilé é referido no livro de receitas, " O cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha ", da autoria de Lucas Rigaud, no ano de 1780. Em ocasiões de cortejos cívicos, procissões, feiras ou paradas militares, desde que houvesse ajuntamentos, em tempo quente de verão, logo surgiam os típicos vendedores também conhecidos por " homens da água fresquinha ou capilé ". Para ler: Pregões de Li...
Um carro de bois (Desenho de M. de Macedo, segundo uma fotografia de E. Biel) É (...) o sr. Biel quem nos fornece uma magnífica fotografia donde o sr. Manuel de Macedo tirou o desenho [acima]. É um perfeito quadro colhido em flagrante na natureza e que surpreendeu aqueles homens no meio dos seus labores. Além de todo o pitoresco do local e da cena que se desenrola a nossos olhos, uma particularidade chama a atenção do observador, que é a enorme canga que descansa sobre os cachaços dos pacíficos bois. Estas cangas são vulgares em toda a província do Minho e do Douro , e elas constituem uma verdadeira curiosidade, não só pelo tamanho, como pelos lavores e arrendados que as enfeitam, uso este que vem da mais remota antiguidade e que ainda hoje se conserva com toda a beleza que o caracteriza. (1) Os carros de bois no Minho Os carros de bois sempre tiveram uma presença marcante na cultura do Minho, região do norte de Portugal. Estes veículos eram utilizados pelos agricultores p...
Lavadeiras de Mafamude (Cliché do distinto fotógrafo amador, do Porto, sr. Eduardo Paulo) Ilustração Portugueza - 15 de Junho de 1914 As Lavadeiras em Portugal As lavadeiras sempre desempenharam um papel importante na sociedade portuguesa ao longo dos séculos. Elas eram mulheres responsáveis por lavar roupas, lençóis e outros tecidos, utilizando métodos tradicionais que exigiam conhecimentos, habilidade e força física. Antigamente, as lavadeiras reuniam-se em pontos de água, como rios, riachos ou lavadouros públicos (comunitários), para realizar suas tarefas. Elas usavam tábuas de pedra ou madeira, esfregavam as roupas com sabão e batiam para remover a sujidade. A técnica era conhecida como "bater a roupa" e requeria muito esforço físico. Essas mulheres costumavam trabalhar em grupo, compartilhando histórias, risadas e até mesmo canções. Eram momentos de sociabilidade, em que as lavadeiras se mantinham informadas sobre o que acontecia na comunidade e trocavam exp...
Trajos do Minho Mulheres com Trajos de Cerimónia, Festa ou Romaria «O traje de cerimónia era concebido para ocasiões de grandes festividades familiares ou colectivas. Quer se destinasse para o casamento dos filhos, quer para vestir o «juiz» ou «mordomo», depositário de confiança da comunidade e seu representante nas festas colectivas, era o prestígio de uma «casa», que se punha à prova dos olhares avaliadores de povoação. O prestígio alcançado por essa família ultrapassava-a e tornava-a extensivo a toda a comunidade. Era um factor de coesão.» Ler+ Trajos do Minho Homens e Mulheres com Trajos de Trabalho e utensílios agrícolas «O traje de trabalho também designado por traje de cotio ou traje da semana, vestia-se como o próprio nome indica, durante a semana, para trabalhar. Com características próprias, de acordo com a função a que se destinava, havia de reflectir a imagem que a comunidade tinha acerca do trabalho e as relações sociais construídas segundo e...
A leiteira, em Lisboa, a pregoar o seu leite! Lisboa de pregões sonora e linda, Lisboa de pregões, linda e sonora, Frases cantantes de saudade infinda, Vozes que a chama da alegria cora. Os pregões de Lisboa - cantilena, Notas confusas de pregões sem fim, Alguns chorosos, trémulos de pena, Outros vibrando em notas de clarim. Duas simples palavras sem enfeite - Mas numa voz de tal suavidade! - A adorável meiguice do «iá leite!» Adorável de graça e de saudade. Quem tão doce pregão cedo apregoa Na rua triste, quási sem ninguém? É a varina , a leiteira de Lisboa, De pés bem feitos, nús, pisando bem! Como é graciosa e linda!... E com que planta Corre essas ruas de Lisboa inteira. Tem raça grega - é neta da Atalanta, Essa escultura viva, essa leiteira! Martinho de Brederode Fonte: " Ilustração Portuguesa ", nº381 - 1913 As leiteiras de Lisboa No início do século XX, as leiteiras eram figuras conhecidas e essenciais nas ruas de Lisboa. Mulheres corajosas...
Capela do Senhor da Pedra «Não acaba a tradição. Por toda a província continuam as romarias com o mesmo cenário de sempre com as suas transações e os seus devotos. A do Senhor da Pedra fez-se como em todos os anos tendo uma enorme concorrência.» Os romeiros à beira mar Diante da capela No meio do pinhal: as merendas In Ilustração Portugueza, 17 de Junho de 1912 ***** Lenda do Senhor da Pedra "Corre em Gulpilhares a lenda de que os seus habitantes, há séculos, quando pretenderam construir uma ermida ao Senhor da Pedra no terreiro conhecido por arraial, viram aparecer sobre os rochedos junto ao mar uma luzinha, quando estavam ocupados já no levantamento das paredes. Aquela luz misteriosa aparecia todas as noites, insistentemente, o que causou emoção nos gulpilharenses, determinando-os nesse tempo a tomarem o facto como um sinal do Céu. Em face de tal fenómeno abandonaram a construção em que estavam empenhados e mandaram construir a capela à beira-mar, ...
O fim do Mercado de São Bento – Lisboa (1938) “O velho Mercado de São Bento vai desaparecer para dar lugar a coisas mais belas e oportunas. Com 57 anos de idade - completou-os no dia 1 de janeiro - não pode dizer-se que morre muito criança. Para um mercado que não evoluiu é a decrepitude. (...) No terrado podiam instalar-se centenas de vendedores com as suas mercadorias. Davam entrada para o Mercado três vistosos pórticos de ferro que os críticos de há meio século classificaram de «incontestável beleza». Na parte central havia um pequeno jardim triangular em cujos vértices haviam sido colocados marcos fontenários para serventia pública. Nada ali faltava. O Mercado era um verdadeiro mimo, e como tal deveria ser considerado pelos moradores do sítio. Encontravam-se ali lugares de frutas, hortaliças, aves, carne, peixe, bebidas e toda a espécie de víveres tabacos, louças, objetos de vestuário, calçado e muitos outros artigos. Quem é que se não lembra ainda do homem das...